
Desculpe, caro amigo, por tudo aquilo
que lhe fiz passar...
Daqui por diante, falaremos das coisas lindas
que a piedade divina nos deixou restar...
Reneguemos o amor!
Sejamos intransigentes
e olhemos à direção fictícia
que nossa cega seta mesquinha
é capaz de nos conduzir,
mas não acertemos o alvo!
Reneguemos o amor!
Que nossa toga de vaidade medíocre
impeça nosso deleite na relva
e que nosso caminhar desolado
impeça nosso escutar para as músicas
que nos vem dos arvoredos.
Reneguemos o amor!
Que nossos passos confusos
distancie-nos dos orvalhos das flores
e que nossa infidelidade ao corpo
não nos leve às águas mansas.
Reneguemos o amor!
Que nossa tímida insensatez
roube-nos o bem-estar jamais buscado em nosso trabalho!
E que o abaixamento da hipocrisia
seja capaz de usurpar o brio da nossa realização pessoal.
Reneguemos o amor!
Desculpe, caro amigo,
fujamos da montanha mágica
e do tesouro guardado ao final do arco-íris.
Afinal, o amor é uma simples manifestação ridícula
que nosso lado fracassado é incapaz de discernir...
Apeguemo-nos ao lindo abismo que nos rega
e que o mundo real esteja longe de nós!
Para que possamos renunciar à ternura
e nos emudecer diante das nossas escolhas.
Façamos um grande acordo, meu grande amigo:
reneguemos o amor!
Sávia Gabi (07/03/2008 – 13:00h) todos os direitos reservados!
Entrelinhas: “É mais garantido ser deserto numa velha crosta de infelicidade pequena a ser pleno diante de toda imensidão nova da felicidade...” (Gente Infeliz – Sávia Gabi). A vaidade usurpa o amor genuíno...
Foto: Quando a música escreve a vida... Há que se ter as nossas mãos para a virada de página! E mesmo que haja sombra, são elas, as nossas mãos, as responsáveis pela partitura...(Encontro entre a Jazz Sinfônica de São Paulo e a Orquestra Sinfônica de Brasília – Aniversário de Brasília - 21/03/2008). Sávia Gabi - todos os direitos reservados!
que lhe fiz passar...
Daqui por diante, falaremos das coisas lindas
que a piedade divina nos deixou restar...
Reneguemos o amor!
Sejamos intransigentes
e olhemos à direção fictícia
que nossa cega seta mesquinha
é capaz de nos conduzir,
mas não acertemos o alvo!
Reneguemos o amor!
Que nossa toga de vaidade medíocre
impeça nosso deleite na relva
e que nosso caminhar desolado
impeça nosso escutar para as músicas
que nos vem dos arvoredos.
Reneguemos o amor!
Que nossos passos confusos
distancie-nos dos orvalhos das flores
e que nossa infidelidade ao corpo
não nos leve às águas mansas.
Reneguemos o amor!
Que nossa tímida insensatez
roube-nos o bem-estar jamais buscado em nosso trabalho!
E que o abaixamento da hipocrisia
seja capaz de usurpar o brio da nossa realização pessoal.
Reneguemos o amor!
Desculpe, caro amigo,
fujamos da montanha mágica
e do tesouro guardado ao final do arco-íris.
Afinal, o amor é uma simples manifestação ridícula
que nosso lado fracassado é incapaz de discernir...
Apeguemo-nos ao lindo abismo que nos rega
e que o mundo real esteja longe de nós!
Para que possamos renunciar à ternura
e nos emudecer diante das nossas escolhas.
Façamos um grande acordo, meu grande amigo:
reneguemos o amor!
Sávia Gabi (07/03/2008 – 13:00h) todos os direitos reservados!
Entrelinhas: “É mais garantido ser deserto numa velha crosta de infelicidade pequena a ser pleno diante de toda imensidão nova da felicidade...” (Gente Infeliz – Sávia Gabi). A vaidade usurpa o amor genuíno...
Foto: Quando a música escreve a vida... Há que se ter as nossas mãos para a virada de página! E mesmo que haja sombra, são elas, as nossas mãos, as responsáveis pela partitura...(Encontro entre a Jazz Sinfônica de São Paulo e a Orquestra Sinfônica de Brasília – Aniversário de Brasília - 21/03/2008). Sávia Gabi - todos os direitos reservados!
13 comentários:
ah, savinha, muito me vale estar aqui, fazer parte deste seu cotidiano.
infelizmente, às vezes acontece e é preciso refazer o percurso, dar meia volta
e recomeçar
.
se encontra...
a mísica de renato russo é mais do que própria,
bjus no coração
!!!!
Mais que a dor do amor,
Viver a dor
Me doeu.
Eu quero mesmo é ser feliz;
Amar, amor.
Quem não semear não vai colher.
Ai de quem é um e nunca será dois
Por não saber.
Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada.
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada.
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo.
Quem irá me valer?
É segredo de fazer amigo.
(Pra eu parar de me doer - Milton Nascimento)
...
Bom dia, poeta!
Vou comentar... Deixa só me refazer do impacto! rss
Olá, bem-quereres!!!! Estive sumida por alguns dias... Adoeci... (risos) Mas nada grave! Já estou me recuperando...
Terei de passar por um procedimento cirúrgico, mas estou medicada com esses paliativos que fazem a gente suportar o incômodo por um tempo razoável... E nos deixa assim: mitigando a vida! Um dia a gente percebe no reflexo que não há como fugir e a melhor coisa é radicalizar, abandonar os paliativos e cortar o mal pela raiz...
Tê!!!!! Saudades de vc!!!! Então, a valia é toda minha, moça, em poder recebê-la aqui... A busca para este “encontro” é incansável! E um grande desafio... Penso que no mínimo, devemos ser coerentes aos nossos anseios, vez que o boicote é a nos mesmos! Então, a poesia, uma ironia! E a música, a verdade ironizada... Adoro Renato Russo! O maior poeta contemporâneo para mim...
Cora!!! Que jeito doce de desejar bom dia!!!! Jeito bem de Cora... Eu quero muito ter a coragem de escolher aquilo que realmente irá me valer...
RM!! Então quer dizer que eu consegui a proeza de tirar-lhe o fôlego? (risos) Espero ansiosa pelo seu “recompor”!
Beijo grande no coração, meus queridos!!!! É sempre muito bom dividir com vocês...
Sim, Capitu, falaremos, daqui em diante...
... Ainda que reneguemos o amor.
Fica boa depressa!!!!!
Beijos,
bom fim-de-semana!
Capitu!
Aiiiiiiiiii... Que poema forte e viceral! Dores fazem parte da vida sempre e levantar após cada dor é essencial e possível em uma pessoa com tanto sentimento!!!
Renegar o amor - NUNCA! Feliz de nós que sabemos o que é amar e ser amado.
Beijo grande e um abraço bemmmmmmmmmmmmmmmmmmmm apertado
Anne
capitu,
o contraste é necessário.
infelizmente, mas é!
melhoras, querida!
estou aqui vibrando pra que corra tudo bem!
precisar... só chamar!
bj
Ei Sávia,
um super texto, capaz de tirar mesmo o fôlego...
Não vivemos um tempo qualquer. As pessoas, fugidias, querem acertar a seta sem se expor, escutar a música sem frequentar o jardim, desfrutar das águas mansas sem se molhar.
E, naturalmente, permanecem lá a montanha mágica, o arco-íris, o abismo e a ternura; mesmo renegados...
Mas esta não é uma poesia qualquer.
Passando rapidinho, só para não perder o costume. Semana que vem, vida volta ao normal.
Boa semana.
Beijos
Savinha!!! cê tá bem?
bjus!!!
Oi, Sávia.
Olha, eu acho que você precisa simplificar... desculpe se estou sendo direto, seria mais fácil rasgar seda, daí eu receberia um sorriso de volta, mas ao final nada se acrescentou, concorda?
João Cabral disse que não se deve ficar tentando poetizar o poema e acho que tem tudo a ver.
Você aqui acaba controlando demais o texto, acaba ficando evidente que você queria uma certa palavra em tal lugar, entende? Não é preciso colocar sua assinatura em cima de tudo, o trabalho tem que ter vida própria.
Por exemplo "restar" é uma palavra legal, pode significar subtrair, diminuir, mas "que a piedade divina nos deixou..." acaba matando a palavra.
Dá pra ser simples e extremamente poético, vamos lá:
"eu beijo pouco, falo menos ainda,
mas invento palavras que traduzem a ternura mais funda(...)" (Manuel Bandeira)Pense que em literatura, muitas vezes, o menos vale mais.
Bom, acho que já dei motivos suficientes para você me detestar, rs. Brincadeira, tenho certeza que você entende que só quero ajudar.
bj
Olá!!!!! Boa noite, bem-quereres! Que bom voltar e vê-los aqui... Estive ausente por estes dias para algumas providências, mas estou de volta! Então, na quinta-feira próxima farei minha cirurgia e finalmente poderei sentir o vigor da minha respiração...
Mr. Almost!!! Sempre falaremos... E sem renegarmos o amor!!! Estou correndo para alcançar este "depressa!" (risos)
Anne Moor!!! Adorei o visceral! (risos) Dores fazem mesmo parte e ainda que elas insistam em continuar, resta-nos o amor! Feliz de nós que ainda o temos para recorrer...Um outro abraço bemmmmmmmmmm apertado!
Tetê! Às vezes é o próprio contraste que nos permite perceber... Mesmo que seja de uma forma mais brusca, é sim necessário... E obrigada pelo carinho! Fique certa de que chamarei... Estou bem!
RM!! Fôlego tomado, comentário certeiro! Obrigada pela gentileza, mas esta é mesmo uma poesia qualquer, moço! (risos) Como todas as outras! Assim como tudo que é... Até que nossos olhares percebam a essência, o simples detalhe, o diferencial... Assim como a sua sensibilidade!
Nathy!!! Eu também estou neste pique!!! Mas o lindo é que a gente sempre passa... Mesmo que seja rapidinho! (risos)
Mauro!!!! Jamais detestarei aqueles que aqui contribuem para o bem comum! E fico muito grata ao fato de que os comentários aqui deixados estão longe de serem "ragação de seda!” Afinal, todos os leitores que por aqui me acariciam com seus ares de graças, para minha felicidade, são contundentes críticos do bom gosto, dignos da recepção com um belo sorriso!!! Então, eu concordo muito com João Cabral! Por isso escrevo da minha maneira! Não tenho técnica! Assim, mesmo que quisesse, não poderia ficar procurando a melhor palavra, o melhor jeito de se fazer poesia... Eu realmente não tento poetizar nem mesmo controlar o que escrevo, meus versos são intuitivos, escrevo o que sinto... Quando percebo, as letras já saltaram para o papel... Claro que procuro cuidar do português, fazendo uma correção aqui outra ali, trocando certas palavras, até mesmo em atenção ao razoável ouvido à musica, mas tudo como naturalmente fazemos ao final de cada rascunho... E por que não fazê-lo? Que bom que cada pessoa tem sua maneira de se expressar... Tal diferença é o que nos permite ter um legado tão lindo de escritos para todos os gostos! Quanto à preocupação aqui apontada, até prontamente acolho suas sugestões quando exclusivamente assinalam algo material em minha escrita! Já que uma revisão é essencial para uma publicação! Mas, mudar o meu jeito genuíno de escrever foge da minha proposta e ficaria pesado demais para mim... Deixaria de ser eu, e aí sim, meus versos não teriam vida própria... Contudo, embora sejam eles donos de suas vidas, quero que "meus filhos" tenham a minha cara! E que levem a minha assinatura sim, ainda que não subscrita... (Afinal, qual poeta gostaria que seus versos fossem órfãos? Além de ser muito bom quando alguém percebe nossos escritos: "isto é coisa de Capitu..." Mesmo que tal nome não esteja lá... Entende?) Que meus versos alcem voos por aí como eu os faria! E que minha poesia seja clara quanto à mensagem que desejo passar! E que mesmo querendo fazê-la entendida a qualquer pessoa que lê-la, que este entendimento seja uma forma bem particular de apenas senti-la... Não ficarei medindo as minhas palavras... Simplesmente deixarei que minha intuição leve-me... Seja ao exagero, seja ao bucólico... Seja ao leve, seja ao complexo! O certo é que penso em minha poesia como o processo naturalmente saudável de extravasar meus sentimentos... E talvez, quem sabe em um próximo futuro, esta seja mais uma forma estudada e conceituada pelos literatos, assim como novas formas surgem, assim como grandes escritores, hoje copiados e exemplificados, um dia tiveram suas letras como ousada novidade criticada, e censurada... Assim como tudo o que João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira tiveram de aprender e acima de tudo, defender, para que hoje seus escritos fossem tidos como são... E já que tocou neste assunto, gostaria muito que você expusesse sua sugestão para a melhor solução ao verso: "que a piedade divina nos deixou restar...” Realmente não consigo enxergar tal controle...
Obrigada pelo carinho de sempre, meus queridos!!! Mais tarde voltarei com um novo post e em passeio aos espaços de vocês!!! Estou com saudades!!!!
Beijos meus!!!
PS.: Confesso que tenho passado por certos repúdios por causa deste texto! Acreditem: ainda há insensibilidade neste mundo que impede a percepção à ironia aí estampada em prol do amor!
Procura da Poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Carlos Drummond de Andrade
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